Ele me viu no Instagram. Ou naquele aplicativo novo de relacionamentos. Criaram um app só pra quem é da nata, lindo, rico e bem sucedido. Entrei pra ver qual é, já que nunca estamos satisfeitos com o que já temos. Parecia um cardápio do Linkedin. Todos bonitos, com aquela barbinha, bem sucedidos, viajados, interessantes. Tinha médico, advogado, empresário, criador de startup. Ninguém ali é motorista do Uber ou assistente administrativo de compras. Interessante, pensei. Mas todos iguais. As mulheres também. Todas lindas, siliconadas, magras, praticam esportes. Difícil competir, mas parecia legal.

Um match aqui, uma curtida ali, bora falar pelo Instagram, me passa seu whatsapp. Combinamos de sair. Um jantar? Talvez um bar com comidinhas seja mais informal. Encontramos, rimos, conversamos. Uma bebida aqui, encontramos algo em comum, uma piadinha ali…Dia seguinte… será que mando mensagem? Será que me curtiu? Não, não mando, porque hoje fingimos que não estamos tão afins nem desesperados. Afinal, tenho 30 anos né? O que uma mulher dessa idade espera? Casar e ter filhos, obviamente. Mas não é meu caso. Sai mais duas, três vezes. E acabou. Não dura nem dois meses. Nem uma temporada. Por que? Porque nunca é suficiente. Ninguém é tão bom suficiente para nós.

Terminamos algo que mal teve a chance de começar. Boicotamos a relação antes de sair da superficialidade da conversa. Nem tivemos tempo de chegar nas profundezas das nossas derrotas, fraquezas, ou conhecer o lado mais vulnerável do outro. A gente corta as asas de quem nem aprendeu a voar. Sempre achamos há algo melhor no mercado, na nossa vitrine das redes sociais, aplicativos, vida noturna. Ou a gente acha que tem.

Esperamos encontrar alguém extraordinário para nos apaixonar? Mas o que seria isso? Todo mundo parece tão inteligente e interessante hoje em dia. É que nem esperar as férias, a sexta feira, o open bar para ser feliz. Porque não nos contentamos com o ordinário, com o normal? A gente espera aquele que é bem sucedido, bonito, viajado, engraçado, interessante, com senso de humor…

Essa é a nossa geração rapidinha e amores líquidos. A gente posta por likes. Viaja por comentários e vai para academia pelo espelho. Será que estamos sozinhos nesse mundo lotado de pessoas sempre online? Parece que nada mais tem graça, parece que tudo anda meio vazio. Se você dorme e acorda sozinho, isso é solidão ou liberdade?  Tudo é tão igual. A gente está perdendo a sutileza de saber o que significa se entregar, ser vulnerável e de verdade. E, infelizmente, eu me incluo nisso nessa geração moderna e líquida.

SOBRE MIM

Priscila Kamoi é formada em Administração e Marketing pela Baldwin Wallace University. Trabalhou durante 7 anos no mundo corporativo e após câncer, largou a carreira corporativa para ter uma vida com mais propósito, liberdade e felicidade. Viu o blog como uma forma de unir tudo o que ama: viajar, ler, escrever, fotografar, moda, comer, culturas e pessoas. Já teve seu olhar por 34 países até agora e possui mais de 100 roteiros de viagens.Viajante, empreendedora e nômade digital por opção SAIBA MAIS

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