Não dói terminar relacionamentos. Não dói dizer tchau, finalizar algo que já deu o que tinha que dar. O que dói, é sentir o que a gente poderia ter vivido juntos. A sensação de ter ficado um pouco mais. Eu sei que errei muito, e eu sei… Eu ficava na expectativa da gente viajar juntos novamente. Não confirmava viagens com as minhas amigas, na expectativa que iriamos viajar para o Jalapão em Março, para Europa em Junho, para Jericoacoara em Julho, para o Valle Nevado em Agosto, para São Miguel dos Milagres em Outubro…E tantas outras viagens que eu fiz, você foi junto, porque fui pensando em você.


Imaginei como você iria amar estar comigo naquele hotel maravilhoso que consegui em Porto. Ou ficar o dia inteiro na Lagoa do Paraíso de Jeri, bebendo e tomando sol. Andar pelas ruas de areia com aqueles restaurantes charmosos e depois curtir uma balada no Café Jeri.

Esquiar no Valle Nevado, rir dos nossos tombos e competir para ver quem chega mais rápido, já que você é extremamente competitivo e detesta perder, né? Curtir um mar quentinho e transparente de Milagres e não sair do mar. E você falar, que não é para eu sentir vergonha, que eu posso pedir para você tirar quantas fotos eu quiser. Que você tem paciência comigo, quando eu não gosto nenhuma foto. E me vê fazendo stories dos lugares de longe…

Acordar, tomar café da manhã, e você fazer aquela piadinha toscas mas que eu achava a mais engraçada do mundo e me matava de rir. Do seu senso de humor ácido como o meu. Das nossas intermináveis conversas no almoço ou antes de dormir. Das nossas briguinhas bestas de ciúmes, mas que no fundo a gente sabia que se amava. Que pelos nossos olhares, tacitamente, a gente sempre soube. Mas a gente se perdeu. Eu me perdi.

Sabe aquela sensação de estar exatamente onde gostaria de estar? Eu sentia isso quando estava com você. Quando a gente foi pra Ilha Grande, aquele por do sol na lancha, aqueles restaurantes beira mar só com a luz da lua, andando bêbados na praia de madrugada. E aquela pousada no fim do mundo em Petrópolis? Onde a nossa própria companhia era nosso melhor entretenimento. Tomar vinho, comer e papear. Era tudo tão simples, mas tão singelo, tão especial. O tempo parava e não queria que andasse mais.

Você não sabe, mas você foi comigo em todas essas viagens. Você esteve em todos meus sonhos. Em todos os meus planos. No meu futuro. E dói, dói aceitar que o que a gente poderia ter vivido juntos, ter ficado juntos. Porque quando me perguntam porque eu não desapego de você, dessa cidade falida e corrupta, é porque eu não consigo desapegar da ilusão de um futuro melhor. Poque eu sei que eu já encontrei. Encontrei quem eu gostaria de estar, viajar e passar os dias da minha vida. Mas não vai ser nessa vida. Talvez seja em outra vida, não sei…por enquanto você continua viajando comigo, até eu conseguir desapegar da sua companhia.

“Pedi pra Deus abençoar sua vida. Não pense que eu te quero mal. To aqui na torcida. Que vocês viajem o mundo. Conheçam um pouco de tudo. Que tenha pôr do sol, banho de chuva e vento na cara. Faz amor no meio da estrada. Eu te desejo tudo isso e muito mais. Amar é deixar ir. É saber sair de cena. É ficar longe pra não te causar nenhum problema. Amar é deixar ir. Te desejo o bem e só. Ah, e que tenha uma boa memória. Só pra você lembrar. Que comigo ia ser bem melhor”

Boa memória – Luan Santana

*Esse texto é apenas uma crônica e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

SOBRE MIM

Priscila Kamoi é formada em Administração e Marketing pela Baldwin Wallace University. Trabalhou durante 7 anos no mundo corporativo e após câncer, largou a carreira corporativa para ter uma vida com mais propósito, liberdade e felicidade. Viu o blog como uma forma de unir tudo o que ama: viajar, ler, escrever, fotografar, moda, comer, culturas e pessoas. Já teve seu olhar por 34 países até agora e possui mais de 100 roteiros de viagens.Viajante, empreendedora e nômade digital por opção SAIBA MAIS

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