Convidei o meu amigo Edgard Corsi para escrever sobre sua viagem à Istambul. Vou dividir em duas partes: Dicas úteis sobre Istambul (onde ficar, onde comer, como se locomover, etc) e o roteiro que ele fez em 4 dias em Istambul!

“Oi pessoal! Vou contar um pouco pra vocês de como foi minha experiência em Istambul, a maior cidade da Turquia, quinta maior do mundo e brigando com Londres como a maior cidade da Europa!

mesquita azul - interior (arquivo pessoal)

1.História

Istambul – olhem que bacana! – tem uma parte de seu território na Europa e outra parte na Ásia, sendo a única cidade do mundo com essa característica de ocupar dois continentes.  Até o ano de 1453 se chamava Constantinopla, ganhando oficialmente seu nome atual em 1930. Além de ser uma das cidades mais populosas, é também uma das mais antigas, datada de 667 a.C.. A grande maioria da população é muçulmana, com muito poucos cristãos e judeus – começando aqui o primeiro “choque” cultural que senti quando cheguei na cidade: muitas mulheres vestidas de burca da cabeça aos pés.

ponte que liga a parte norte com a parte sul (arquivo pessoal)

2. Primeiras Impressões

Além da questão religiosa como comentei acima, a primeira impressão que tive colocando o pé para fora do aeroporto foi o trânsito caótico – principalmente pra mim que estava chegando de Berlim, onde tudo é super organizado, limpo e moderno. Uma cidade muito diferente do restante da Europa.

Realmente num primeiro momento você quase chega a pensar “o que eu estou fazendo nesse lugar”? Depois você percebe que o caos da cidade não só faz parte da experiência de estar em Istambul – lembrando que estamos falando da quinta maior cidade do mundo! – como você acaba também de uma certa maneira se acostumando e gostando dessa “baguncinha”.

ruas de istambul (arquivo pessoal)

E a mais maravilhosa das primeiras impressões: a paisagem! Pegamos um ônibus – vale super a pena, pois é super em conta – do aeroporto até a principal praça/bairro da parte nova de Istambul – Taksim. No trajeto do aeroporto até Taksim, começamos a ter uma noção do que iríamos ver durante os dias de estadia na cidade: um mar azul maravilhoso, mesquitas lindas, uma arquitetura super característica (sou arquiteto!!) e contrastes entre o novo e o antigo! Nesse momento começamos a esquecer do trânsito caótico e sentir que a viagem seria super especial!

3.Moeda

Em Istambul a moeda se chama “Lira Turca” (TRY), e equivale a aproximadamente 1,15 reais ou 0,3 euros. Nessa hora fez um “nó” na minha cabeça (rs), pois estava acostumado apenas com dólar ou euro. Nos primeiros dias ainda não estava sabendo dizer o que era caro ou barato na cidade! Resumindo, Istambul não é uma cidade muito barata.

torre de gálata (arquivo pessoal)

4. Como chegar

Chegamos pelo Aeroporto Internacional da parte europeia, que se chama Atatürk e é o maior da Turquia. É mais antigo do que o da parte asiática. A linha de ônibus que pegamos se chama TH-1 e se encontra bem à frente da porta de saída do desembarque do aeroporto. O tempo de viagem até Taksim é de 40/50min e o ingresso você compra dentro do próprio ônibus. Voamos de Turkish Airlines e super recomendo!

vista da torre de gálata 1 (arquivo pessoal)

A volta foi pelo aeroporto internacional da parte asiática. Ele se chama Sabiha Gokcen e fica a uns 90min da praça Taksim, ou seja, se programe com um bom tempo de antecedência para ir até o aeroporto se você também for sair da cidade por ele. Assim como no outro trajeto, é bacana aproveitar o tempo e reparar no super contraste que a parte asiática tem com relação à europeia. Nesse lado da cidade vi muito arranha-céu e prédios espelhados com volumetria contemporânea. O centro financeiro de Istambul fica na Ásia.

Um detalhe que fez a gente se sentir ainda mais inserido dentro da cultura deles, é que em vários horários do dia, usando alto-falantes espalhados pelas ruas, é feita a chamada para a reza nas mesquitas. É um som super marcante!

https://www.youtube.com/watch?v=EenreDJ3jr8

palácio topkapi - café

5. Onde se hospedar

Optamos durante toda a nossa viagem pela Europa, por ficar em Hostels com quartos e banheiros individuais. Gosto bastante da “vibe” desses hotéis, pois sempre tem muita gente jovem, descolada e de vários países para conhecer e trocar experiências, seja em um happy hour, café da manhã ou lanche!

Em Istambul não foi diferente! Pesquisamos quais eram os Hostels da cidade e posso dizer que encontramos o melhor de toda a nossa EuroTrip! O hostel se chama #bunk taksim e pelo nome com a hashtag já deu pra sentir a “vibe” que havia comentado ali em cima, né? Como o próprio nome já mostrou, ele fica muito próximo (aproximadamente 4 quadras) da praça Taksim, que foi onde o ônibus do aeroporto nos deixou.

hostel 1

Nosso quarto era de um tamanho ótimo, super novo, descolado e com chuveiro individual no mesmo ambiente. No corredor de cada andar, existiam dois banheiros de uso coletivo, apenas para o vaso sanitário. Super tranquilo!hostel 5

Como a maioria dos prédios na cidade, esse do hotel era extremamente antigo, mas reformado – o que nós arquitetos chamamos de retrofit: dar um novo uso a um prédio histórico, mantendo as características da arquitetura e assumindo toda a estrutura nova com elementos super modernos. Esse contraste era um dos pontos altos do edifício.

hostel 4

Outro ponto alto do #bunk – e meu favoritoé a vista. Istambul tem um uma geografia muito acidentada, e o hotel fica em um dos pontos mais altos da cidade. Buscando usufruir ainda mais da vista, a área comum do hotel é na cobertura, onde se toma o café da manhã e mais tarde se transforma naturalmente no ponto de encontro para o drink no fim do dia!

hostel 3

http://bunkhostels.com/

6. Como se locomover

Na praça de Taksim você consegue encontrar taxis (Taksi), ônibus (Otobus), vans de aluguel, estação de metrô e o trem funicular (que dá acesso às estações de metrô de superfície, chamado de Tramvay). Na estação da praça, compramos um mapa – amoooo mapas! – e conseguimos com ele nos locomover para todos os pontos turísticos e lugares que a gente queria. Apesar do trânsito caótico, as linhas de Tramvay super funcionam e são de fácil entendimento, mesmo sendo uma escrita muito diferente da nossa.

tramvay

Minha dica principal de locomoção sempre vai ser: andar a pé! Ainda não existe uma maneira melhor de você vivenciar a cidade do que andando por ela – a até algumas vezes se perdendo e descobrindo lugares fora do seu roteiro!

Os principais pontos turísticos estão divididos basicamente em duas regiões da parte central da cidade, o que facilita a locomoção a pé dentro delas. Entre uma região e outra que é interessante utilizar o Tramvay. Uma das regiões fica ao redor do bairro Taksim, onde se encontram as ruas com lojas de grifes internacionais e de fast fashion, os bares mais jovens, as baladas e a parte relativamente mais nova. Essa região fica ao norte do estreito do rio Bósforo, que divide a cidade no sentido Norte-Sul. A outra região fica ao sul do estreito, onde se encontram as paisagens mais famosas de Istambul, e é a parte mais antiga.

santa sofia - vista da praça sultanahmet (arquivo pessoal)

7. Onde comer

Além da super dica de andar a pé, outra dica que adoro dar é: sempre comer a comida típica da cidade que você está visitando! Para mim a parte da comida é tão importante para vivenciar a cidade quanto a arquitetura, a paisagem e a as pessoas, pois faz parte dos costumes e da cultura de cada povo.

Istambul tem uma variedade absurda de comidas exóticas e bem diferentes do que estamos acostumados a comer aqui no ocidente.

vista do restaurante na praça do bazar das especiarias (arquivo pessoal)

Uma das principais se chama “Kebab”, que nada mais é do que um grande espeto de carne, mas preparado com especiarias e de maneiras bem diferentes. Aqui no Brasil, vários lugares vendem o Kebab em forma de “wraps”, o que fazia eu pensar que esse prato era sempre servido dessa maneira. Comi de umas três maneiras diferentes, sendo a mais fora do convencional onde serviram a carne desfiada de gado, frango e porco, todas misturadas, cozidas dentro de um vaso de cerâmica com várias especiarias. Para servir na mesa, eles enrolam o vaso em um pano (para não espalhar os pedaços) e quebram o jarro na nossa frente! Vários restaurantes da cidade possuem esse prato.

kebab (arquivo pessoal)

kebab no vaso

Outra comida típica são as centenas de sabores e tipos de doces que lembram as guloseimas que a gente compra em quiosques de shoppings – meu favorito foi o de pistache. Eles são encontrados por todos os cantos e ruas da cidade, e principalmente no Mercado Egípcio (também chamado de Mercado das Especiarias). Todos têm um sabor bem forte, bem doce e bem exótico, então a dica é comprar um de cada vez para experimentar e ver se vai querer comprar mais depois! Digo isso, pois a maioria das lojinhas vendem “caixinhas” de 6, 12, 20 unidades! Eu comprei logo de cara uma de 6 unidades e não aguentei comer nem 2 do mesmo sabor, pois não tinha experimentado antes!

doces turcos

Na parte das bebidas, o mais tradicional é o “Chá Turco”, que é oferecido inclusive em praticamente todas as lojinhas de rua e do Grand Bazaar. Confesso que fiquei com um pouco de medo de aceitar assim “for free” e fui experimentar apenas nos restaurantes!

8. Tempo de Viagem

Fiquei em Istambul 4 dias e meio, mas gostaria de ter ficado pelo menos mais uns 2. Quando viajo, não gosto de ter horário/tempo/roteiro definido para visitar os lugares, pois gosto de parar para tomar um vinho, um frisante, um café ou até mesmo ficar algumas horas apenas sentado em algum gramado super gostosinho apreciando a vista – e como comentei, Istambul é cheio de boas visuais! Com isso, se você está planejando ir para lá, provavelmente consiga fazer o mesmo roteiro que eu fiz, em menos dias!

Amei o post do Ed! Obrigada!!!

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